A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que quase 11 milhões de pessoas serão infectadas pelo vírus do sarampo em 2026. Embora a maior concentração de ocorrências deva se concentrar na África e na Ásia, diversas nações da Europa e das Américas já enfrentam surtos expressivos que colocam comunidades em risco.
Os perigos da infecção e a importância da imunização
Inexistente de tratamento específico, o sarampo pode ser prevenido com vacinas seguras e eficazes. Indivíduos não imunizados que contraem o patógeno estão sujeitos a complicações graves, incluindo surdez, cegueira e até mesmo óbito. O perigo é amplificado em populações desnutridas e sem assistência médica adequada. Para garantir a chamada imunidade coletiva, a taxa de cobertura precisa superar 95% com a aplicação de duas doses.
Crise de abastecimento e instabilidade em países de baixa renda
Enquanto nações desenvolvidas mantêm índices próximos à meta, os países de baixa e média renda registram apenas cerca de 80% de cobertura na primeira dose e apenas cerca de 70% na segunda. O impacto da pandemia de COVID-19 deixou milhões de crianças sem nenhuma dose. Em Bangladesh, que lidera o ranking mundial de casos e soma mais de 900 mortes neste ano, a situação foi agravada por turbulências políticas e falhas na aquisição de imunizantes por meio do Unicef.
O impacto dos cortes no financiamento internacional
O apoio global sofreu baques com a redução de repasses de potências como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França para a Gavi, a Aliança para as Vacinas. Com um déficit orçamentário significativo, a instituição enfrenta dificuldades para subsidiar os custos para países em desenvolvimento, ameaçando a compra dos insumos necessários.
Hesitação vacinal e perda do status livre da doença
Nas Américas, que já foram consideradas zona livre da doença, o cenário mudou. O Canadá perdeu o certificado em novembro de 2025, e México e Estados Unidos devem seguir o mesmo caminho. A Guatemala desponta com mais de 30.000 casos, impulsionada por discursos antivacinas em líderes religiosos. Comunidades menonitas conservadoras e grupos isolados no México, Bolívia e EUA também registraram surtos que rapidamente transbordaram para a população vizinha.
Reverter esse cenário global exige estratégias distintas: nos países mais pobres, o foco é a expansão do financiamento internacional e o fortalecimento do acesso. Já nas nações desenvolvidas, o grande desafio consiste em reconstruir a confiança na vacina junto aos responsáveis pelas crianças.







