A cantora e compositora islandesa Laufey encerrou a turnê mundial do álbum A Matter of Time na noite de quarta-feira (9), no Espaço Unimed, em São Paulo. Diante de uma casa de shows lotada por fãs dedicados, a artista de 27 anos protagonizou uma apresentação marcada pela sofisticação instrumental e aproveitou o momento para fazer uma firme defesa da criação humana diante do avanço da tecnologia.
Crítica aberta ao avanço da inteligência artificial
Durante a apresentação paulistana, a artista fez uma pausa silenciosa para se posicionar contra o uso crescente de sistemas geradores no meio cultural. Em sua fala, Laufey ressaltou que ferramentas digitais não são capazes de emular o sentimento genuíno transmitido pelos músicos aos palcos.
“O mundo realmente precisa de artistas de verdade. Estamos vivendo em uma época onde a IA está por toda parte. Na arte, ela não tem lugar. A arte vem da expressão e da emoção humana. E nenhum computador poderá jamais repetir isso”, declarou a cantora sob aplausos, incentivando o público jovem a perseverar em projetos criativos autorais.
Bossa nova e conexão com o Brasil
A apresentação intimista na capital paulista ocorreu apenas dois dias depois de a artista passar pelo festival Rock in Rio, onde cantou diante de mais de 100 mil pessoas. O encerramento no Espaço Unimed marcou o segundo ano consecutivo da cantora em palcos brasileiros, após sua passagem pelo festival Popload em 2025.
A forte relação com o repertório nacional já havia sido celebrada no festival carioca, no qual a artista interpretou “Perdido de Amor”, clássico de Luiz Bonfá, em português. No palco, Laufey costuma citar nomes históricos como João Gilberto e Astrud Gilberto como fontes de inspiração centrais, traduzindo as harmonias brasileiras para um público jovem que consome suas músicas em vídeos e redes sociais.
Repertório e consagração no cenário internacional
O repertório de cerca de duas horas passeou por faixas de destaque de sua discografia, incluindo sucessos como “From the Start”, “Promise”, “Goddess”, “Valentine” e “Madwoman”. A atmosfera mesclou arranjos orquestrados com piano, violoncelo e referências diretas ao jazz tradicional dos anos 1950 e à era clássica de Hollywood.
Com mais de oito premiações conquistadas na carreira, a artista coleciona duas estatuetas do Grammy na categoria de Melhor Álbum Vocal de Pop Tradicional: a primeira por Bewitched, em 2024, e a segunda em 2026, com o projeto A Matter of Time. A consolidação da musicista comprova o apelo atemporal de melodias complexas, criando pontes entre a nostalgia e as novas gerações da música pop.








