Estudo identifica 55 eventos em dois anos marcianos, com 7 assinaturas acústicas; relâmpagos em Marte podem influenciar exploração e astrobiologia
Pesquisadores relatam a primeira evidência direta de relâmpagos em Marte, obtida a partir de gravações do rover Perseverance. A detecção amplia o entendimento sobre como a atmosfera poeirenta do Planeta Vermelho pode gerar eletricidade, e abre novas questões sobre proteção de instrumentos e até possibilidades para a astrobiologia.
Como a detecção foi feita
O estudo, publicado na revista Nature, gravou a descarga elétrica com o microfone da SuperCam a bordo do rover Perseverance. O dispositivo é capaz de gravar dados sonoros e interferência eletromagnética. Para confirmar que sinais eram de descargas, os cientistas também encenaram descargas elétricas usando uma réplica da SuperCam na Terra.
Após analisar 28 horas de gravações procurando por sinais de descarga elétrica, a equipe registrou 55 eventos ocasionais durante dois anos marcianos (aproximadamente 3,76 anos terrestres). Sete deles culminaram com a assinatura acústica de um minúsculo estrondo sônico, ou seja, um pequeno trovão.
O que os dados mostram sobre os relâmpagos em Marte
Os sinais encontrados indicam que o clima poeirento durante os eventos revela as condições necessárias para gerar eletricidade na atmosfera rarefeita e seca de Marte. A hipótese é que, assim como em redemoinhos e tempestades de poeira na Terra, partículas em movimento em Marte se carregam por atrito.
Isso faz com que elas se esfreguem umas contra as outras e gerem carga, que se acumulam até produzir uma descarga. Os pesquisadores observaram que com exceção de um, todos ocorreram durante o período dos 30% ventos mais fortes registrados. Além disso, de um quinto (16) foram durante os dois encontros próximos do rover com redemoinhos de poeira.
Apesar desses relatos, no entanto, é possível que mais eventos tenham ocorrido, e muitos podem ter passado despercebidos pelo alcance dos sensores ou por limitações de gravação. A combinação de registros sonoros e medições eletromagnéticas foi essencial para diferenciar sinais elétricos de ruídos ambientais.
Implicações para missões e para a ciência
A descoberta pode ajudar a orientar o projeto de futuras tecnologias de exploração de Marte, protegendo-as de descargas elétricas. Instrumentos e equipamentos que operem na superfície marciana podem precisar de blindagens e estratégias para lidar com surtos locais de carga elétrica gerados por tempestades de poeira ou redemoinhos.
Além disso, cientistas planetários agora podem modelar com mais precisão as reações químicas na atmosfera de Marte. Descargas elétricas produzem efeitos químicos transitórios, capazes de gerar ou transformar moléculas que participam de ciclos atmosféricos e superficiais.
Indo mais além, teorias sobre o surgimento da vida na Terra invocam os raios como um sistema de entrega dos ingredientes para impulsionar um conjunto de moléculas ao desenvolvimento biológico. Dessa forma, se os raios existirem em Marte, os astrobiólogos podem considerar maiores estimativas da probabilidade de vida no planeta. O novo conjunto de dados permitirá avaliar com mais realismo essas possibilidades.
O que falta descobrir
Embora os registros representem um marco, os cientistas ainda precisam entender a frequência real, a intensidade típica e a distribuição espacial dos relâmpagos em Marte. É preciso também esclarecer que tipos de descargas ocorrem, se são essencialmente locais, em redemoinhos, ou associadas a frentes de tempestade mais extensas.
Novas missões com sensores otimizados, estudos de laboratório em atmosferas simuladas e observações conjuntas entre rovers e orbitadores serão necessários para mapear melhor o fenômeno.
Em resumo, a detecção traz evidências de que relâmpagos em Marte são possíveis em condições de poeira e vento intensos, e que seu impacto vai além de curiosidade científica, incluindo segurança de equipamentos, modelagem atmosférica e pistas para perguntas sobre química prebiológica no planeta.
Fontes e dados citados no texto, conforme o relatório original: “O estudo, publicado na revista Nature, gravou a descarga elétrica com o microfone da SuperCam a bordo do rover Perseverance. O dispositivo é capaz de gravar dados sonoros e interferência eletromagnética.” “Após analisar 28 horas de gravações procurando por sinais de descarga elétrica, a equipe registrou 55 eventos ocasionais durante dois anos marcianos (aproximadamente 3,76 anos terrestres). Sete deles culminaram com a assinatura acústica de um minúsculo estrondo sônico, ou seja, um pequeno trovão.” “Para garantir que as gravações provêm de descargas elétricas, os pesquisadores usaram uma réplica da SuperCam na Terra para registrar descargas elétricas.” “Com exceção de um, todos ocorreram durante o período dos 30% ventos mais fortes registrados.” “Além disso, de um quinto (16) foram durante os dois encontros próximos do rover com redemoinhos de poeira.” “A descoberta pode ajudar a orientar o projeto de futuras tecnologias de exploração de Marte, protegendo-as de descargas elétricas. Além disso, cientistas planetários agora podem modelar com mais precisão as reações químicas na atmosfera de Marte.”








