Uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo desarticulou uma organização criminosa que utilizava o aplicativo Discord para praticar e transmitir agressões físicas e abusos sexuais contra meninas menores de idade. A ação policial mirou integrantes que migravam da violência digital para ataques no mundo real.
Aliciamento interestadual e abusos transmitidos ao vivo
As investigações apontam que o grupo atraía as vítimas por meio de salas de conversa na internet. Em um dos episódios mais graves registrados no inquérito, os criminosos financiaram o deslocamento de uma adolescente de 13 anos de Joinville (SC) até a capital paulista. No local, a vítima foi mantida em cárcere, dopada e submetida a estupros coletivos e agressões.
Partes das violências cometidas contra a jovem chegaram a ser exibidas em tempo real para os membros da comunidade online. O responsável por atrair e conduzir a garota até o cativeiro foi identificado como Carlos Eduardo Custódio, de 19 anos, conhecido pelo apelido de “DPE”, que permanece foragido.
Identificação dos envolvidos e arquivos apreendidos
Até o momento, as autoridades cumpriram mandados contra os principais articuladores da rede. Além do foragido Custódio, o inquérito responsabilizou Gabriel Barreto Vilares (conhecido como “Law”), William Maza dos Santos (“Joust”) e Vitor Hugo Souza Rocha (“Verdadeiro Vitor”), de 21 anos, detido na cidade de Bauru.
Durante as buscas, os agentes localizaram dezenas de discos rígidos, computadores e unidades SSD em posse de Vitor Hugo. Os dispositivos armazenavam um vasto acervo de gravações explícitas de estupros e espancamentos de menores, catalogados em pastas com os nomes de cada uma das vítimas. A polícia apura se o material era comercializado ou apenas compartilhado internamente entre redes de pedofilia.
Conexão com outros crimes graves
O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil também investigam indícios de que os participantes dessa comunidade virtual estejam ligados a outros crimes fora da internet. Entre as suspeitas apuradas estão o planejamento de massacres em escolas, assassinatos de pessoas em situação de rua e o tráfico de entorpecentes.
Discord entra na mira das autoridades
Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público abriu um inquérito civil para apurar a responsabilidade da própria plataforma Discord. Segundo o promotor Danilo Orlando, a ferramenta carece de mecanismos eficientes de segurança e moderação, funcionando como um ambiente propício para a propagação estruturada de discursos de ódio e planejamento de delitos violentos.
Em manifestação oficial, a administração do Discord informou que possui tolerância zero para comportamentos nocivos e que atua proativamente para identificar ameaças e banir usuários mal-intencionados. O chefe de segurança da empresa, Clint Smith, ressaltou que a imensa maioria dos mais de 150 milhões de usuários utiliza o serviço de forma sadia e que a plataforma colabora com investigações para proteger menores de idade.








