Home / IA / Inteligência artificial Claude foi usada em pesquisas ligadas a armas biológicas

Inteligência artificial Claude foi usada em pesquisas ligadas a armas biológicas

Claude foi usado em pesquisas que poderiam ajudar a criar armas biológicas

Pesquisadores utilizaram a inteligência artificial Claude em cinco ocasiões distintas para apoiar trabalhos relacionados a vírus, venenos e toxinas que poderiam ser direcionados à criação de armas biológicas, conforme revelou um relatório recente divulgado pela empresa desenvolvedora do sistema, a Anthropic.

Controle e ambiguidades na ciência Apesar da gravidade dos temas, a companhia esclareceu que nenhuma arma foi efetivamente produzida e não foi possível comprovar a real intenção dos cientistas envolvidos. O episódio ilustra um dilema tecnológico complexo: o mesmo banco de dados útil para desenvolver tratamentos médicos pode servir para potencializar agentes biológicos nocivos.

Investigação sobre o vírus da chikungunya O caso mais emblemático ocorreu quando um especialista solicitou auxílio ao chatbot para redigir uma proposta de financiamento focada em estudos de ganho de função com a chikungunya, doença transmitida por mosquitos que provoca dores articulares duradouras sem tratamento antiviral específico. O projeto, vinculado a um instituto militar, pretendia identificar mutações e selecionar as variantes mais agressivas em testes com animais.

Plataformas intermediárias e contornos de segurança Embora os filtros iniciais tenham bloqueado a solicitação, a investigação descobriu uma rede clandestina que utilizava plataformas intermediárias para ocultar localizações e redirecionar perguntas recusadas para concorrentes. Mesmo após o bloqueio de contas, as atividades persistiram com novas identidades, contando inclusive com assistência editorial da tecnologia.

Outros quatro casos biológicos mapeados O relatório também detalhou episódios com gripe aviária adaptada a mamíferos, além do uso do modelo Claude Opus 5 para redigir em apenas uma hora uma proposta completa sobre ortopoxvírus — grupo que inclui a varíola e a mpox. Os dois últimos casos envolveram a criação de bases de dados de moléculas extraídas de animais peçonhentos e a alteração computacional de toxinas com nomes ocultados.

O desafio dos filtros e a zona cinzenta da biologia As barreiras automatizadas enfrentam dificuldades na biologia justamente porque uma mesma linha de questionamento sobre a resistência de vírus pode servir tanto para prevenir epidemias quanto para criar variantes mais letais. Por isso, a Anthropic defende que recursos avançados sejam disponibilizados exclusivamente a instituições verificadas.

Debate sobre riscos existenciais e barreiras físicas A divulgação do documento coincidiu com debates acalorados sobre os rumos da inteligência artificial e os riscos de sistemas autônomos. No entanto, especialistas ponderam que reunir dados representa apenas uma etapa inicial, sendo ainda necessários laboratórios adequados, materiais genéticos e testes práticos para a fabricação real de patógenos.